quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Reforma ortográfica

http://www.okconcursos.com.br/apostilas/apostila-gratis/135-portugues-para-concursos/483-reforma-ortografica   selecione o link com o lado direito do mouse,ai é só ir,boa leitura

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

terça-feira, 22 de maio de 2012

Samba da Vitória

Você perdeu,
você perdeu,
quando pensou,
quando pensou,
que me ganhou,
que me ganhou,
e que pra mim
não haveria
mais saída

Você perdeu,
você perdeu,
quando pensou,
quando pensou,
que me ganhou,
que me ganhou,
e que pra mim
não haveria
mais saída

Mas sempre há,
mas sempre há,
uma saída,
uma saída,
sempre existe
uma porta
nem que seja
escondida.

você perdeu
quando pensou
que me ganhou
e que pra mim
não haveria
mais saída

Mas sempre há
uma saída
sempre existe
uma porta
nem que seja
escondida

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Sopa de Letrinhas

No dia a
vou comprar
muitas abelhas,
esperar elas
fazerem mel,
e vender tudo na feira

No dia e
vou desenhar
um elefante,
vou contar
para os amigos
como ele é gigante

No dia i
vou caminhar
para a igreja,
lá irei rezar
muitos pais nossos
e orar pela pobreza

No dia o
vou olhar
pela janela,
ver as paisagens
das montanhas
e pintar um quadro delas

No dia u
quero voar
como os urubus,
vou imitar
um avião
com os braços e as mãos

Com o a e i o u
vou fazer
uma canção,
e dizer para
o mundo inteiro
que veio do coração

sexta-feira, 20 de abril de 2012

àgua`deu-àgua`levou (Parte l )

Mas um domingo aparentemente comum na vida do rei do império dos àgua`deu,depois de vários séculos de intrigas,conspirações,ameaças de guerra e guerra fria,hoje,unido ao reino dos àgua`levou.
Com os dois reinos agora feito um só,sua majestade àgua`deu-àgua`levou tornou-se senhor de um pequeno e grande reino,pequeno pois possui poucas áreas possíveis de serem habitadas e cultivadas, e grande,pois possui um sistema de cobrança de impostos comum nos dois reinos,suspeita-se que a união se deu por conta deste sistema,apesar de ter sido criadas lendas,como por exemplo uma que diz que os reinos dos àgua`deu em um passado distante foi criado pelo reino dos àgua`levou,entre outras.Mas saberemos mais sobre o sistema de cobrança de impostos dos dois reinos,e se foi de fato isto que os uniu,até por que sem muito o que fazer.o rei costuma contar como aconteceu a união,mas não hoje,"o dia da visita do rei".
Sua majestade esta impaciente sobre a ponte do castelo,aguardando o momento de entrar na carruagem real para o único compromisso real.Todo último domingo do mês o rei visita os povoados unidos do seu reino,distribuindo sua simpatia real e um dobrão de bronze para as crianças do reino,que o aguardam ansiosamente..
-Onde esta a carruagem real?onde esta?o dia logo amanhecerá e preciso visitar meu povo!Grita a um de seus súditos,que trata de defender o cocheiro.
-Sua majestade,a visita começa a um quarto de areia em vossa ampulheta real e ainda estamos a um quinto de areia.
Não importa,acordem o cocheiro! não pretendo perder um minuto sequer deste dia glorioso.
É compreensivo que sua majestade esteja ansioso,sem quaisquer compromisso oficial,além do dia da união dos dois povos uma vez por ano e que não passa de um discurso na presença de poucos súditos insatisfeitos um grande número de cobradores de impostos além dos astrólogos do rei,a abastada aristocracia e seus ministros..
O último domingo de cada mês é um dia especial,instituído por ele depois de anos a fio de marasmo e tédio "o dia da visita do rei".Finalmente sua majestade poderia usar outros trajes reais,alem do usado no dia da união,já meio roto e empoeirado,mas devidamente restaurado.
-Vamos cocheiro,ande com a carruagem,precisamos percorrer mais de vinte povoados em apenas um dia.
A carruagem era mesmo digna de um rei,carregava um baú com vinhos das melhores safras dos reinos,o espaço interno para oito pessoas confortavelmente sentadas ou em pé,mas ficar em pé dentro da carruagem real era uma mordomia que só se permitia ao grande rei dos àgua`deu-àgua`levou,ninguém ousara descumprir tal rito sob pena de ser privado da companhia do rei e muito provavelmente da propia liberdade.A frente,oito cavalos arreados,crinas longas bem aparadas,selas revestidas com finas camadas de ouro e prata,cavalgando a luz do dia refletia riqueza,a noite,sob a luz da lua,era reconhecida a grandes distâncias.
Ao lado do rei na carruagem os súditos de sempre,com exceção da nobre e bela rainha dos àgua`deu-àgua`levou,de aparência entediada pois não compartilhava do mesmo entusiasmo do rei,via aquelas idas aos povoados um gesto repetitivo e inútil,além da poeira da estrada que ao final do dia deixava em todos uma camada de pó,que ela odiava,os outros eram o bobo da corte,o nobre ex ministro do extinto ministério da segurança,extinto por que só quem tinha segurança era o rei,o nobre ex ministro do extinto ministério dos castelos,extinto por que só quem tinha castelo era o rei,o nobre ex ministro do extinto ministério das estradas,extinto por que as estradas eram péssimas,o nobre ex ministro do extinto ministério da paz,extinto por que a paz reinava,pelo menos entre a abastada aristocracia,e o nobre ex ministro do extinto ministério das carruagens,extinto por que só quem tinha carruagem era o rei,e os sábios do reino aconselharam o rei que ter um ministério só para a carruagem dele,poderia causar um certo desconforto entre seus súditos.
Correndo por fora da carruagem,e a pé,um recém chegado vassalo,que ganhou fama no reino por ser um súdito muito submisso,além da cavalaria da segurança real.
.

terça-feira, 27 de março de 2012

Os Candidatos

                                                              Ambientação
Em uma movimentada avenida em uma das metrópoles Brasileiras encravado entre grandes edifícios,encontra-se o Escritório da Burocracia Política,um pequeno escritório,simples mas aconchegante,onde todos os que pretendem candidatar-se a algum cargo público devem,sem distinção de partido,comparecer para uma entrevista avaliadora,sem o comprovante de aprovação do Escritório da Burocracia Política é impossível alguém almejar cargo público.

                                                                Chegada
Barulho forte de frenagem na avenida em frente ao escritório,gritos,correria,xingamentos,um grande alvoroço,como diziam os antigos,um buruçú chama a atenção do burocrata atendente do escritório que corre assustado para a porta,abre e dá de cara com um "gorila",surpreso se pergunta quem colocou aquele "armário" na frente da sua porta,e como vai chegar a outra porta que dá na rua,como num passe de mágica o "armário" se move e eis que aparecem dois personagens,apressados entram no escritório sob protestos e gritos de fura filas,o atendente corre para tomar o seu lugar na sala e acena para que o "armário"feche a porta.

             Começa entre cochichos,trejeitos nas cadeiras,caras e bocas,o insólito diálogo.

O burocrata
-Vamos as apresentações,sou o Sr: Ambiel de Almeida Cacha,o Sr: da esquerda seu nome?
Personagem 1
-Sr: não!Dr:,Dr: Ferdi
-O Sr: da esquerda,nome por favor?
Personagem 2
-Sou o Sr: Sase.
-Dr: Ferdi,Sr: Sase estão conscientes da responsabilidade do ato de estarem aqui,sem esta entrevista e sem o comprovante que disponibilizarei ou não,dependendo:É interrompido.
Dr: Ferdi cochicha ao ouvido do Sr: Sase
-Esse bundão nem sonha que só estamos aqui por que o cara do tráfico de influência resolveu inflacionar,está cobrando os olhos da cara,aquele corrupto.Sr: Sase responde com o mesmo gesto,e tem aquela CPI,não dá pra buscar dinheiro no exterior;Dr: Ferdi completa,não associe,não associe dá azar.
-Os Senhores querem dizer alguma coisa?
-Não,não,não nada não
respondem juntos
-Podemos continuar?
-Sim,sim,sim.
-Vamos ao questionário de praxe,as perguntas serão feitas em ordem aleatória e o Senhores terão cerca de quinze minutos para responder,entendidos?Dr: Ferdi?
-Entendi
-Sr: Sase?
-Entendi
-Vamos a primeira pergunta,o que os Senhores podem dizer sobre distribuição de renda?Dr: Ferdi?
1-O Sr: Sase vai responder
2-Por que eu?ele perguntou pra você,quero dizer para o Dr:
1-Faça essa cortesia para o cidadão,uma pergunta tão simples
2-Simples?então responda o Dr: 
1-Sr: Sase fale como nós somos a favor da distribuição de renda,mas não associe,não associe
2-Por ser um tema delicado vou pedir a minha assessoria que faça um relatório e lhe entregue em alguns dias.
-Não sei o que dizer,normalmente as pessoas respondem a pergunta,mas não vamos nos ater a apenas uma questão,vamos a próxima.
1-Ao pé do ouvido do Sr: Sase,bela saída,você ainda vai ser presidente,eu não teria pensado nisso,ótimo,ótimo.
-O que os senhores pensam sobre a reforma agrária?
Um silêncio profundo toma conta do ambiente,cinco minutos depois o burocrata quebra o silêncio
-Vocês tem só mais dez minutos para responder.
1-Como ousa nos chamar de vocês,eu sou um Dr: não sou um vocês qualquer
2-Isso mesmo,quero ser tratado no mínimo de Sr:
-Eu fiz apenas uma associação,duas pessoas,vocês,não vejo nada de mal.
1-Falando baixinho;Ele associa,ele associa,estou dizendo esse cara é da esquerda,esse jeitinho de burocrata não me engana.
-O que disse Dr:?O Dr: quer responder a pergunta?
-Que pergunta?
-O que o Dr: pensa sobre a reforma agrária?
1-É sério
Novamente o silêncio toma conta do ambiente,mais cinco minutos e o burocrata desperta.
-Estou esperando a sua resposta Dr:
1-Respondi com eloquência a cerca de dez minutos
O burocrata vai verificar no papel onde esta o espaço para respostas e encontra apenas "É sério"
-Dr: isto não é resposta que possa ser considerada satisfatória,apenas é sério,o que quer dizer?desenvolva
1-O que é isso?o cidadão pergunta sobre reforma agrária agora vem falando em desenvolvimento,isso é subterfúgio o Sr: é da esquerda eu sabia é cria da oposição,não respondo sob protesto.
2-Apoiado,apoiado.
-Mas isso aqui não é comício! o Dr: e o Sr: precisam apenas responder poucas perguntas pegar o formulário e pronto.
Toca o interfone,é a secretária,assustada com o alvoroço na porta do escritório
-Senhor Cacha a entrevista vai demorar.
-Por que D. Gláucia?
-Esta se formando um tumulto aqui na porta,empurra empurra e muito mais,estão dizendo que os dois que estão ai com o senhor furaram a fila.
-Os senhores ouviram,vamos terminar logo esta entrevista,só mais uma pergunta,o que o Dr: e Sr: acham do programa espacial Brasileiro?Sr: Sase?
2-Ainda estou sob protestos
-Dr: Ferdi?
-É um assunto delicado,vou mandar minha assessoria fazer um relatório e lhe enviarei em alguns dias.
Ele responde e cutuca o Sr: Sase,colou?
-Essa seria a última pergunta,mas eu preciso de pelo menos uma resposta,vamos ver...
A secretária bate a porta
-Entre!
-Sr: Cacha estão impedindo a passagem das pessoas na calçada e começaram a fechar a rua
-Calma D. Gláucia a entrevista terminará agora,fique tranquila
A secretária volta para sua sala
-Dr: Sr: vamos terminar essa entrevista por motivo de segurança,e segurança seria a próxima pergunta que será substituída por uma de fácil e rápida resposta,o que significa H2O?dez segundos para a resposta,uma dica,é a fórmula da à....é fórmula da à...
1-O que isso tem a ver com política,eu não vou ser químico pra saber de fórmulas.
2-Apoiado,apoiado
-Senhores respondam!
1-O cidadão esta alterado
2-Apoiado,apoiado
1-Não vou responder a esse bárbaro
2-Apoiado,apoiado
-Vou lhes dar o formulário!
2-Apoiado,apoiado
-Tomem e sumam daqui!
2-Apoiado,apoiado
1-Ele esta nos enxotando,e você esta apoiando
2-Mas nos deu o formulário
1-Apoiado,apoiado
-Saiam,saiam e levem esse "armário" de vocês.





sexta-feira, 9 de março de 2012

A Capa Do Livro

Não sou de uma só amante
como dizem os falantes
sou de duas belas,amante

Bígamo! gritam os conservadores
desejando incontinente imitação
mentiroso! gritam os gaiatos
não tens sequer uma,que dirá duas

Como que alheias aos gritos
elas me acompanham digo
desde tempos idos

Por algum tempo as duas desdenhei
mas pródigo aos seus braços retornei
pois nada melhor eu encontrei.

A uma dedico o gesto
expressão é beleza,erudição
a outra dedico contato,comunicação
é vida,o ar que respiro,paixão



quinta-feira, 8 de março de 2012

Um feliz oito de março,pra quem é e pra quem respeita a mulher,a luta continua.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Tua Falta (provisório)

Não espero boa leitura
espero sim tua leitura
não espero nem bela escrita
espero sim tua carta
para me dizer o que sentes
e suspeitar o que sinto

Quando sobes a montanha
e a paisagem encanta
quando tudo que vês
é sol,árvore e esperança
e quando lá nas alturas
o ar fica pouco,rarefeito
se sentes medo e tontura
se isto te aperta o peito

Então sabes o que sinto
quando sinto tua falta
o ar fica rarefeito,escasso
o respirar é difícil
pareço perdido no espaço
se não te vejo na rua
se não estás ao meu lado.

Estrada

Contanto que não se conte
as estrelas são lindas
contudo que não se diga
que o amor prossiga

As naves que voam perto
que digam se estou certo
as palavras que não são ditas
espero que se tornem gestos

O sol que ilumina a terra
reflete meu rosto na água
você poderia estar perto
e não estaria assim,deserto

Andando pela estrada
entre poeira e solidão
vendo passar o tempo
devagar,sem direção

Estrada de uma sombra
sombra que já foram duas
deixam poucas lembranças
lembranças que já foram suas

Para onde foram os ventos
a sombra e o descanso
se já não sinto a brisa
se já secaram meu pranto.

sábado, 28 de janeiro de 2012

Vidinha

Um pequeno passado
e um grande futuro
alguns poucos passos
e muito para andar

Alguns poucos trajes
e tanto para vestir
Alguns poucos risos
e tanto para sorrir

Poucos verões e outonos
poucas primaveras e invernos
tão poucas luas

Tão cedo chegou o dia
que logo se tornaria
o interromper da vidinha.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

O Fim do Mundo

O Sitio

Convidado para passar a noite no sitio do amigo José por conta do horário e transporte por aquelas bandas para voltar a cidade só de frente da vendinha de seu João,as cinco da manhã em ponto.
Convite aceito fomos jantar,quando vi o Zé sentar na mesa pensei,quantas pessoas viram jantar hoje?umas dez?quem convidou?o Zé?ele deve ter convidado o povoado todo,vai ser uma festa e ele não me avisou,engano meu,aquela comida toda era só pra ele,o que havia no fogão e na geladeira,ele não esqueceu nem a salada que pela quatidade dava para alimentar um coelho por três ou quatro dias.
Mas pra que tanta comida Zé?o que é isso?
-Medo,respondeu o ele.
Medo?as pessoas têm medo de rato,cobra,insetos,o que tem haver medo com essa comida toda?
-Medo de morrer de fome dormindo.
Sério?você está falando sério?isso é brincadeira?
Zé me olhou com uma cara de reprovação que pude perceber que era sério,ele tinha mesmo medo de morrer de fome dormindo,por isso comia tanto antes de dormir.
Depois de alguns minutos de espanto,resolvi fazer o meu prato e comer alguma coisa,antes que ele desse fim ao estoque de comida da casa.
Admirei aquela cena,bem,pelo menos não há desperdicio de alimento nessa casa,e ele não parava a boca,comia como se o mundo fosse acabar.
Já satisfeito com a minha porção,passei a apreciar aquela comilança,ele não satisfeito com tudo que comeu foi olhar as panelas e encontrou um caldo de carne que sobrou do almoço e colocou para ferver e fêz um pirão,comeu.
Enfim, terminado o jantar,após cerca de dua horas de uma bela demonstração de apetite,me mostrou meu quarto e foi dormir.
O sitio era daqueles bem simples,tinha luz elétrica,mas esse era um dos poucos luxos,uma geladeira que nem me dei ao trabalho de abrir,pelo apetite do morador não deveria ter nada mesmo,uma televisão pequena,que servia de móvel,ele não ligou a televisão,que coisa,um rádio mudo,eu poderia dizer que o Zé não era uma pessoa antenada,internet nem pensar,acho que ele não sabia o que era computador.
Sempre tem o lado bom,com as luzes apagadas pude ver,por uma fresta no telhado o claro da lua,e o silêncio era inebriante,dava para ouvir ao longe o coachar dos sapos e o cri cri dos grilos,uma sinfonia,um convite a uma bela noite de sono que eu aproveitaria,já o Zé.

O Pesadelo do Zé.

Alta madrugada e a farta refeição começava a fazer efeito,o Zé ouviu um bater na porta alto e insistente,levantou mau humorado,xngando e reclamando de tudo e de todos,esbravejava.
- Quem será a uma hora dessas,seja quem for vai ouvir o que quer e o que não quer,vou xingar até o rastro desse miserável,desse disgraçado,isso são horas?
Ele foi olhar pelo vidro da janela pra ver se via alguma coisa,levou um susto,um relâmpago clariou a sala e até onde a vista alcançava,um trovão em seguida,estremeceu até os ossos do Zé,o humor piorou.
O bater insistente na porta seguia,ele segurou o trinco da porta,respirou fundo,tentou lembrar dos piores palavrões que já ouvira e decidiu vou esculhambar agora.
Abriu a porta e deu de cara com uma entidade,o susto foi maior que o do relâmpago,o que aparentava ser um homem,vestido com uma capa de chuva preta,um capus que lhe cobria a cabeça e não permitia ver o rosto e uma foice na mão com um cabo comprido,Zé concluiu.
É a morte,ele lembrou de uns quadrinhos antigos que havia folheado na infância e a vestimenta batia,era ela.Pensou.
Tá perdoada,essa eu não xingo
Com a voz meio trêmula falou.
-Dona morte,a senhora por aqui?A que devo a visita?

A Entidade

-Não sou a morte.
-Não?
-Não,posso entrar?
A cor voltou a fisionomia do Zé.
-Pode,entre por favor,mas quem é você?
-O fim do mundo.
-O que?
O coração do Zé veio até a boca e voltou
-O que disse?
-Disse que não sou a morte,sou o fim do mundo.
-Mas e essas roupas?e a foice?
-É que a morte é uma invejosa,vive me imitando em tudo,até nas roupas.
-Mas o que você está fazendo na minha casa,isso é o fim do mundo!.
-Sou eu.
-Não,eu quero dizer,isso é impossivel!
-Não é impossivel,eu só quero conversar.
-Conversar?comigo?é o fim do mundo!
-Sou eu.
-Meu Deus!
-Tava ocupado,sabe como é né,muito compromisso.
-Não!eu quero dizer o que você quer conversar comigo!veio acabar o mundo e resolveu começar pelo meu sítio?isso é covardia.
-Não Zé,eu só quero conversar.
O diálogo se repete.
Conversar?comigo?
-É Zé só conversar
-Me desculpe,mas acho que o senhor errou o endereço.
-Por quê Zé?
-O que voce vai querer conversar com um matuto como eu?eu só sei plantar,esperar e colher.
-Isso mesmo,você sabe de muita coisa.
-Eu?
-É,você Zé,você tem muita esperiência no que faz,você conhece o tempo das chuvas,o tempo do estio,você sabe a melhor época de plantar,quando está bom pra colher,você é um especialista no que faz,como todos os outros que conheço.
-E daí?que culpa eu tenho de ser um especialista no que faço,sempre achei que era certo ser um especialista,aliás eu sempre quis ser um especialista,sempre quis conversar com especialistas,sempre quis ser atendido por especialista,onde foi que eu errei?
-Você está certo Zé,não tem nada de errado em ser um especialista.
-Nada?então o que diabos você esta fazendo aqui?
-Eu já disse só quero conversar.
Chega de repetir diálogo.
-Então diga,fale,se não veio acabar o mundo o que você disser eu escuto.
-O problema é que eu não sou um especialista.
-Meu Deus!
-Já disse tava ocupado.
-Não!quero dizer,e daí,você não é um especialista e qual é o problema?
-É que todo mundo que conheço é especialista no que faz e eu não,seja um agricultor como você,seja um médico,um engenheiro,um advogado,todos menos eu.
Zé pensou:Agora a vaca foi pro brevo e levou a boiada toda,estou com o fim do mundo na minha casa ele tá vestido de morte e com pití.
-Afinal de contas você é ou não é o fim do mundo?
-Sou.
-E o que você quer comigo?
-Já disse conversar.
Zé já não sabia mais o que pensar,e notou que fazendo as mesmas perguntas o mundo se acabava e ele não iria ter uma resposta clara,resolveu deixar o fim do mundo falar a vontade.
-Então conte tudo,me diga o que quer e o que veio ver aqui,conte tudo.
-Você ouve rádio Zé?
-As vezes.
-Você vê tv?
-Televisão?
-É Zé tv.
-Tenho tempo não,acordo as quatro da manhã tomo café e vou pro roçado,só chego de noite,tomo banho como e vou dormir,isso todo santo dia faça chuva ou faça sol.
-Como pensei,então você não esta sabendo o que estão falando do fim do mundo.
-Estão falando de você?mas a lingua do povo não perdoa ninguém mesmo,até de você estão falando.
Zé parou por um instante e refletiu:Estão falando até dele o que dirá de mim.
-Estou vendo que você não tem internet em casa.
-O quê?
-Internet Zé.
-Computador?
-Isso,computador.
-Dona morte.
-Não Zé ! sou o fim do mundo.
-Desculpe é a sua roupa
-Tudo bem você não é o único a se confundir
-Seu fim do mundo,posso lhe chamar assim ou prefere outro tratamento.
-Tudo bem Zé.
-Pronto,me diga o que é que eu vou fazer com um computador,coisa que eu não sei nem pra onde vai.
- Interagir Zé,saber as novidades,falar mal de politico,essas coisas.
-Olhe,quando eu quero saber das novidades,que são sempre as mesmas,eu vou na venda de seu João que é um enrolão,por falar nisso não beba lá não,se quizer tomar umas cachacinhas tem uma venda na saída do povoado
O fim do mundo o interrompe.
-Zé!
-Como eu dizia,quando quero saber as novidades eu tomo umas pingas na venda de seu Jõao e ele me conta tudo,tome cuidado com ele,ele sabe da vida de todo mundo por aqui,tem gente que você nem imagina que deve a ele.
-Você não sabe mesmo o que estão falando do fim do mundo,do calendário Maia.
Zé realmente não sabe do que se trata.
-Mas veja você hein,até desse tal Maia e do calendário dele o povo tá falando,continue,eu já não me espanto com mais nada.
-É isso Zé todo mundo está falando de mim e eu não sei o que fazer.
-E você precisa mesmo fazer alguma coisa?deixa isso pra lá,é a lingua do povo,igualzinho seu João da venda
-Eu não posso deixar pra lá Zé,tem gente que acredita em mim.
-Olha você é uma pessoa de sorte,se é que você é uma pessoa,eu vivo querendo que os outros acredite em mim e não tem jeito,se eu digo que vai chover você acredita que eles só concordam se eu pagar umas pingas
-Não é isso Zé é que estão acreditando em mim e vai ser a minha primeira vez.
Agora complicou o juizo do pobre do Zé.
-Como é?diga de novo!estão acreditando em você e você é virgem?
-Não Zé estão acreditando em mim e não sei acabar o mundo,eu não sou um especialista,se eu fizer isso vai ser a minha primeira vez,entendeu meu problema agora?
-E eu que achava que tinha problema,tudo bem você ganhou,quer uma àgua com açúcar,um chá,tem um chá aqui que é bom pros nervos eu vou ver pra você.
-Não Zé eu lá sou homem de tomar chá,eu só quero saber o que é que eu faço,e se eu errar?e se eu for acabar o mundo e o mundo não acabar?as pessoas vão deixar de acreditar em mim,e se ninguém acreditar em mim como é que eu vou ficar?
Uma coisa estava certa na cabeça do Zé:Com o fim do mundo em crise e conversando com ele essa conversa comprida o mundo não vai se acabar tão cedo.
O galo canta a pleno pulmões,Zé toma outro susto,dessa vez ele acorda.
Hora de trabalhar Zé,deixa o fim do mundo pra lá,pensa em como fazer de cada amanhecer um novo começo,porque tudo tem um começo,e o fim?o fim é quando acaba.







-
-